Go to the content
Show basket Hide basket

Fórum Brasileiro de Economia Solidária

Go back to Novidades da Economia Solidária
Full screen Suggest an article

Carta política da plenária de Pernambuco

Ottobre 24, 2012 0:00 , by Unknown - 0no comments yet | No one following this article yet.
Viewed 60 times

divulgado por Graciete Santos

Image

Nós, delegadas-os presentes na plenária estadual do movimento de Economia Solidária de Pernambuco, realizada como processo preparatório à V Plenária Nacional de Economia Solidária, reunidas-os em Carpina de 04 a 06 de setembro de 2012, baseadas-os nas sínteses das plenárias locais, nos documentos de orientações nacionais e nos debates realizados na plenária estadual, queremos afirmar o nosso projeto político que tem como eixos:

O território como o local onde as pessoas vivem, espaço de convivência, de pertencimento, lócus do comercio, das trocas, das relações. Espaço para dialogar o pertencimento e fortalecimento da cultura local. O Estado deve realizar as políticas públicas, respeitando a territorialidade a partir dos saberes.

A construção da nossa identidade nos territórios se dá através da formação da consciência crítica e política dos atores locais em relação aos princípios e práticas da Economia Solidária, buscando resgatar a história da comunidade, através do diálogo entre gerações, valorizando a cultura.

A Economia Solidária se baseia na autogestão, isto é, na participação e construção coletiva, buscando a descentralização do poder e afirmando a igualdade de oportunidades nos espaços decisórios, realçando a importância de garantir a presença das mulheres nestes espaços. É preciso incentivar e exercitar a autogestão, estimular o envolvimento dos empreendimentos na vida de suas comunidades e a troca de experiências entre os mesmos.

Valorizamos o trabalho coletivo na perspectiva de desconstruir o processo capitalista do empreendorismo individual. Desta maneira, a economia solidária se diferencia da economia popular, uma vez que esta abrange atividades que as vezes visam apenas o lucro e não se preocupa com o projeto de organização coletiva da sociedade, baseada em valores como respeito, preocupação com o meio ambiente e solidariedade. A economia solidária é múltipla e diversificada.

A educação popular é fundamental no processo de organização da economia popular, mas também temos o desafio de que a economia solidária seja trabalhada nas escolas regulares.

Os processos de comunicação são muito importantes para divulgar e dar visibilidade ao que temos, e para que os atores da economia popular e a sociedade em geral conheçam a proposta da economia solidária.

Procuramos garantir a participação dos grupos específicos das diversidades, de modo especial as mulheres com filhos menores, nos espaços de discussão, nas atividades e eventos da ECOSOL, tendo em vista que os mesmos foram historicamente excluídos da sociedade.

Temos o compromisso de colocar em prática as teorias do movimento, fazer reflexões e encaminhamentos no sentido de vivenciar uma economia autogestionária, sustentável e libertadora.

Compreendemos o mercado como sendo um espaço onde ocorre a produção, comercialização e consumo consciente, abrangendo outros aspectos de convivência entre as pessoas: trocas de saberes; mercadorias, produtos e serviços. Procuramos estimular as articulações em redes e cadeias de produção, comercialização e consumo a nível local, territorial e estadual. Através da organização de grupos para consumo consciente estimulando as articulações para compras coletivas.

Acreditamos num crescimento econômico em que haja divisão igual de bens e serviços respeitando a diversidade, a partilha, o trabalho colaborativo, distribuição de riqueza, o respeito ao meio ambiente e a não exploração do trabalho.

Na construção do trabalho realizado nestes dias sobre os eixos, a partir das plenárias regionais, consideramos as seguintes prioridades do movimento de economia solidária para interlocução com os outros movimentos sociais, com a sociedade civil e com o Governo:

No diálogo com o Movimento de Economia Solidária

Realizar mapeamento dos atores que dialoguem com os valores e princípios da ecosol no território;

Formação de redes e fóruns com os atores mapeados;

Incentivo aos EES para criar estratégias de participação de novos atores, em especial os jovens para garantir a renovação do movimento de ECOSOL;

Incentivo à sistematização de experiências, como forma de reflexão profunda dos grupos sobre sua vivência;

Estímulo às relações da economia solidária com a economia popular no território, contribuindo para sua organização em trabalho associado;

Os processos educativos para a organização dos grupos de economia solidária são fundamentais para evitar o desestimulo e a evasão dos seus membros;

Garantir espaços de cuidados com as crianças nos encontros da economia solidária para possibilitar a participação das mulheres com filhos menores;

A atuação das coordenações dos Fóruns e do Conselho deve garantir o diálogo com os movimentos sociais e o apoio aos empreendimentos de forma continuada;

A participação da ECOSOL no orçamento participativo e câmeras temáticas;

Fortalecer as ações do Fórum Brasileiro nos espaços de debates RIPESS e do Espaço Mercosul Solidário;

Garantir a igualdade de gênero, classe, raça e etnia nos processos da ECOSOL; Fortalecimento e empoderamento dos GT's existentes;

Implantação de fundos Solidários, nas comunidades rurais e urbana ;

Implantação de uma feira estadual da Ecosol e de feiras municipais e microrregionais ;

Criação de conselhos municipais de economia solidária na região; Realização de campanhas permanentes sobre Consumo Consciente;

Garantir a formação política dos empreendimentos solidários;

Garantir processos continuados de educação em economia solidária (formação, assessoria técnica, elevação de escolaridade, acesso à tecnologias) prioritariamente para os empreendimentos econômicos solidários, além das entidades de apoio e fomento e gestores públicos da economia solidária ;

Criação de um Fundo Solidário do FEPS/PE.

Aos movimentos sociais

Afirmação da nossa identidade junto aos demais movimentos para sermos reconhecido; Analisar nossa ação enquanto movimento social frente à relação com os governos; Identificar os elementos comuns entre os diferentes movimentos com a economia solidária;

Construir diálogos e convergências entre os diferentes movimentos sociais a partir da construção de agendas e pautas comuns;

Afirmação da luta das mulheres e das diversidades étnicas;

Incetivar os movimentos sociais para fiscalizar a aplicação da Lei do PNAE e PAA por parte dos gestores municipais;

Incentivo a criação de feiras locais, pontos fixos de comercialização, centrais de comercialização e outras estratégias com produtos da economia solidária; Realização de campanhas permanentes sobre Consumo Consciente;

A Sociedade

Sociedade Civil

Valorizar um outro tipo de desenvolvimento que envolve relações diferentes que se contrapõe ao capitalismo;

Realização de campanhas permanentes sobre Consumo Consciente.

Estado

Precisamos de um marco legal que permita a afirmação do projeto político da economia solidária, pois percebemos que há um lobby intenso dos parlamentares para aprovar legislações que favorecem o MEI, enquanto a Lei Geral da ECOSOL esbarra na burocracia e na falta de apoio dos parlamentares ;

Solicitamos o reconhecimento como empreendimentos solidários, pois nós não somos micro e pequenas empresas;

Somos contra o empreendedorismo individual e afirmamos o trabalho coletivo como forma de transformação da sociedade;

A lógica do crescimento econômico e da inclusão produtiva provoca a fragmentação e a desagregação da sociedade além da exclusão de milhares de trabalhadoras-es; Inserção da economia solidária como tema transversal da educação formal, buscando discutir na legislação, e nas propostas curriculares de diferentes níveis a afirmação dos nossos valores (cooperação, solidariedade, respeito...) e de uma nova economia, e não apenas se alinhando com os desejos do projeto do capital; Queremos que seja incentivado as iniciativas do trabalho coletivo, através dos financiamentos aos EES, tendo em vista que os governos acabam se "aproveitando" da desarticulação e desinformação dos participantes da economia popular para incentivar o empreendedorismo individual;

Necessidade de criação de política pública de finanças solidárias que possibilite e disponibilize recursos financeiros aos EES;

Disponibilização dos espaços fomentados pelo poder público para a comercialização dos EES permanentes ;

Valorização dos produtos dos EES, redirecionando os subsídios do Governo para a economia solidária e não para os importados; Criação da Secretaria Estadual; Garantir o aporte de recursos para os Fundos Solidários existentes nos vários territórios;

Propomos criação de conselhos municipais de economia solidária; Implementar a lei de Recursos Hídricos em todos os municípios do estado de PE; Realização de campanhas permanentes sobre Consumo Consciente; Garantir recursos e estrutura para serem realizados os processos continuados de educação popular em economia solidária (formação, assessoria técnica, elevação de escolaridade, acesso à tecnologias) prioritariamente para os empreendimentos econômicos solidários, além das entidades de apoio e fomento e gestores públicos da economia solidária;

Fomento para novas tecnologias, construidas com as pessoas (tecnologias sociais), aos processos de beneficiamento da produção, na lógica da economia solidária; Tributação diferenciada para ECOSOL e fortalecimento de moedas sociais; Alteração os processos de certificação de orgânicos segundo os critéiros definidos coletivamente entre produtores e consumidores, porque a legislação atual não contempla a participação dos atores de ECOSOL.

Neste sentido, é essencial que o FEPS/PE e o FBES se reestruturem com a participação ativa dos atores da economia solidária, de forma a atender as necessidades elencadas, para que possamos afirmar com segurança que uma nova economia acontece!

Fórum de Economia Popular Solidária de Pernambuco.

Baixe a carta em: http://www.fbes.org.br/index.php?option=com_docman&task=doc_download&gid=1684&Itemid=216


Source: http://www.fbes.org.br/index.php?option=com_content&task=view&id=7238&Itemid=62

0no comments yet

    Post a comment

    The fields are mandatory.

    If you are a registered user, you can login and be automatically recognized.

    Cancel

    FBES - Fórum Brasileiro de Economia Solidária

    Brazil